Matemática Elementar e Tecnologia

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Curso de Extensão:
Contribuição da Geometria para a
Educação Matemática na
Escola Cidadã


Marcus V. A. Basso
mbasso@psico.ufrgs.br
Elisabete Zardo Búrigo
burigo@mat.ufrgs.br
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CURSO DE EXTENSÃO:
CONTRIBUIÇÃO DA GEOMETRIA
PARA A EDUCAÇÃO MATEMÁTICA NA
ESCOLA CIDADÃ

PROJETO DE APRENDIZAGEM
Titulo: Introdução à geometria espacial
Local: Escola Municipal de 1º Grau Vila Monte Cristo
Endereço: Rua Carlos Superti, 84 – Vila Nova - Porto Alegre

III Ciclo- 1ºs anos
Turmas: C11, C12 e C13
Professora: Rosamary Pessotta Disconzi
E- mail: rosadis@cpovo.net

1)Justificativa

Este projeto servirá como comprovante da aplicação de trabalho relativo à conclusão do Curso de Extensão: Contribuição da Geometria para a Educação Matemática na Escola Cidadã, convênio SMED - UFRGS.

2)Tema

O motivo principal que me levou a escolha do tema foi o desejo de oferecer às turmas do primeiro ano do III Ciclo oportunidade de explorar figuras espaciais, relacionando-as com o Complexo Temático escolhido pelo coletivo de professores para este período letivo baseado na fala da comunidade: "Escola pública. Pobre tem que estudar em escola pública. Ah, se tivesse dinheiro, iria para a particular, é melhor. Não que a pública seja pior, acho até que é bom."

As questões matemáticas previstas para o trabalho foi o estudo de figuras geométricas espaciais, figuras planas e medidas através da observação, do recorte, do desenho, da construção e da planificação, oportunizando a discussão sobre o significado da construção da escola para esta comunidade e o uso da modularidade no seu modelo arquitetônico.

3)Materiais usados

Para a realização dessas atividades foi previsto o uso de materiais escolares(cadernos, tesouras, colas, fita adesiva, lápis, canetas hidrográficas, lápis de cor, cartolinas, réguas, esquadros, etc.), embalagens vazias (caixas), barbante, canudinhos usados para tomar refrigerantes, agulhas grossas de costura ,fita métrica...

4)O Trabalho

Com base na fala escolhida a discussão foi iniciada com questões sobre a construção e funcionamento da escola: motivo, necessidade e exigência da comunidade, localização, planejamento, comparação com outras escolas, valores como cooperação, união, etc.

De acordo com a escolha feita na Área do Pensamento Lógico – Matemático de outras falas

como: "A educação é um geral. Assim tudo. O que a criança aprende na escola: ser respeitada, saber mais coisas, assim...geral. às vezes eles passam mais tempo na escola, mas os pais tem que ajudar". "Aprender a ler, fazer contas e escrever". "O governo e a mídia porque eles tem o controle da sociedade". Também os conceitos selecionados como: coletivo. conhecimento, poder e cidadania relacionam-se na fundamentação deste estudo.

A observação de caixas vazias com forma de tetraedro, prismas com base hexagonal/ triangular/quadrada, cubos, cilindros, pirâmides ou objetos da sala de aula, levou a comentários sobre a diferença entre as faces que possibilitam o deslizamento (faces planas)e o rolamento dos objetos( faces curvas). Desenhou-se as faces planas e designou-se cada polígono. Neste momento os alunos leram o texto: "A Geometria instintiva das abelhas" de Luiz Barco (Superinteressante Janeiro 1991-Em anexo) e interpretaram-no oralmente .

Solicitei que trouxessem outras embalagens de casa. Apresentaram caixas de todos os tamanhos e formas e até uma embalagens de plástico transparente com forma cilíndrica. Pedi para que cada um planificassem em seus cadernos as faces de sua "caixa". A seguir pedi que planificassem uma caixa com forma de cubo. Cada um deveria me mostrar para que eu verificasse se era possível fechá-la sem sobrepor nenhuma face e se as dobras para a colagem estavam em lugar adequado. Para aqueles que não conseguiam, questionava até que se dessem conta de seu engano.

A medida que revisavam o seu trabalho era fornecida uma cópia da planificação do cubo para que o montassem, tendo antes colorido as suas faces. O mesmo foi feito com a montagem do tetraedro, octaedro, dodecaedro e icosaedro (Ver fotos anexas)

Duas fichas ( modelo em anexo ) com o desenho de figuras espaciais e a definição dos elementos que os formam foram examinadas e coladas nos cadernos. Cada um deveria escolher um dos sólidos geométricos e construí-lo com o uso de canudinhos de refrigerante e fio.

Outra atividade realizada foi o completamento de palavras cruzadas formando a palavra POLIEDRO.

Retomando o tema discutido no início do trabalho relacionamos a forma dos prédios da escola com os poliedros construídos. Foi fornecida uma fita métrica para cada dupla de alunos com a finalidade de medirem a escola: Paredes, distância entre prédios, comprimento da calçada que está situada desde o portão de entrada até o final da área coberta, etc. Esses dados deveriam ser colocados numa planta baixa representativa do terreno e da construção (Ver trabalhos anexos ). Voltando para a sala cada grupo forneceu o que conseguiu e assim completaram as medidas do seu desenho. A altura do prédio fizemos internamente, usando a parede da escada.

A turma foi dividida em quatro grupos para iniciar o planejamento da maquete a ser construída usando régua, papel de computador e lápis combinamos as medidas que teria a maquete e eles fizeram o modelo do prédio (um prisma de base quadrada). Para o telhado planejaram, com orientação, uma pirâmide de base quadrada.

Em cartolina confeccionaram os módulos e cada grupo mostrou sua criatividade para resolver as dificuldades surgidas. Trabalharam durante várias aulas e vieram, no turno inverso, para darem os arremates necessários.

Elaborei ainda três fichas sobre o trabalho realizado, acrescentando atividades sobre a relação de Euler (Modelos em anexo).

Um grupo de representantes das três turmas colaborou na exposição fixada no espaço vazio entre as salas do prédio C. Quando montávamos eles sugeriram que prendêssemos uns nos outros formando "móbile" (Ver as fotos , em anexo).

5)Observações e comentários

O entusiasmo das turmas durante o trabalho foi grande, principalmente com a montagem das figuras com o uso dos canudinhos e fio. Sempre alguém ficava tentando trabalhar na aula seguinte a de matemática. Surpreendeu-me a solução dada pelo aluno Guilherme da turma C12, quando estávamos organizando os materiais para iniciar o trabalho e ainda não tínhamos experimentado usar as agulhas para enfiar o fio no canudinho, ele veio com alegria mostrar como poderíamos fazer: "É só colocar a ponta do fio no canudinho e fazer como se estivesse comendo macarrão, assim". Nos divertimos muito. Foi este o jeito que usamos e deu muito certo.

O trabalho de recorte, pintura, dobradura e colagem foi bastante apreciado. Sempre que acontecia um acidente solicitavam uma nova cópia para que repetissem a atividade.

Já com os trabalhos montados tinham ansiedade para levá-los para casa. Como propus expor para os pais observarem os trabalhos de seus filhos, em visita à escola para recebimento de relatórios semestral, fixei-os em cartolinas junto com o grupo já citado.

Surgiram diversas situações onde podíamos discutir as diferenças e as semelhanças entre as figuras geométricas planas, principalmente os quadriláteros.

Surpreendeu-me a reação de um aluno que demonstra ter um bom desempenho em leitura , interpretação, resolução de problemas e independência na realização das atividades apresentou dificuldade em conseguir ver em três dimensões o prisma de base quadrada que havia construído. Ele queria que o mesmo fosse colocado em duas dimensões como se apresenta através do desenho.

Na representação das faces das embalagens alguns demoraram a entender como deveriam fazê-lo. Era necessário mostrar em cada caderno como desenhá-las. A medida que faziam o seu passavam a auxiliar os seus colegas.

Quando escolheram o poliedro para construírem um aluno, muitas vezes desatento em aula, construiu em casa um icosaedro e apresentou-o na aula seguinte. Todos seus colegas de turma ficaram assombrados e começaram a duvidar de sua capacidade. Pediu que lhe desse mais material para repetir em aula a "proeza". Disse-lhe que se havia feito e assim afirmado eu sabia de sua capacidade e não havia necessidade de repetí-lo.

Observei que alguns alunos não estavam familiarizados com o uso da fita métrica e ao recebê-la foram consultar uma colega que geralmente encontra as soluções das questões dadas mas ela lhes disse que a fita media l60 centímetros. Questionados, observaram melhor e conseguiram perceber o seu engano.

O fato de que um grupo não iniciava o trabalho fui verificar o que estava acontecendo. Perguntaram-me, então, como é que se media. Mostrei-lhes e eles saíram a medir a arquibancada que lhes sugeri.

Na medição com a régua, apesar de fazer vários comentários da forma como se mede alguns alunos mediam ainda a partir da beirada da régua. Só após a observação feita resolviam de outra forma.

Ao calcular as dimensões para construir a maquete, na primeira turma, confesso que minha intervenção não foi feliz no cálculo da proporção da altura do prédio, porém, não voltei atrás porque já haviam empregado bastante tempo nisto. Comentei com eles e valorizei o que já haviam conseguido. Um aluno da turma seguinte duvidou de que aquelas dimensões representassem a medida da escola e seu grupo comunicou que iria fazer de outra forma desde que lhes fornecesse material. Devido a sua pouca organização em horário extra-classe não conseguiram completá-la.

6)Avaliação

a)Das aprendizagens

A avaliação das aprendizagens durante o desenvolvimento do projeto se realizou dentro dos padrões efetuados nas aulas, considerando-se: a observação da professora do envolvimento e disponibilidade do aluno ou da aluna na realização das tarefas, apresentação de suas produções, estabelecimento de relações entre conceitos trabalhados, capacidade de efetuar transformações no plano e no espaço, habilidade no uso de instrumentos de medida e representação no plano, conservação da proporcionalidade na confecção de sólidos geométricos, na construção de módulos e sua disposição na construção e fixação dos mesmos na maquete.

Uma ficha de avaliação do funcionamento dos pequenos grupos e o registro do trabalho individual foi aplicada para que cada um também participasse da qualificação do seu trabalho. Alguns tiveram dificuldade de avaliar o desempenho dos colegas e outros de aceitar a avaliação atribuída pelo grupo sendo necessário a intervenção da professora para que os padrões não fossem rígidos demais, o que costuma acontecer quando são eles que avaliam os próprios colegas.

b)Do projeto

O pensamento reflexivo durante a evolução da construção do conhecimento, desde a Antigüidade, muito se deu pelo contato pessoal e pelas discussões nas famílias, nas escolas e na sociedade em geral. Nota-se hoje que o uso de imagens , através dos meios de comunicação social, é muito intenso e, muitas vezes, tão instantâneo que não temos o tempo necessário para discordar, criticar, registrar e estruturar o nosso pensamento de acordo com as experiências e conceitos já adquiridos, servindo-nos assim para continuar desenvolvendo a nossa criatividade que possibilita a integração, a realização e a satisfação das nossas possibilidades.

No decorrer da realização deste projeto foram oferecidas oportunidades para que as turmas conseguissem explorar a Geometria em duas e três dimensões, desenvolvendo o senso espacial, estabelecendo relações espaciais e resolvendo problemas que envolvem suas aplicações. As situações

oportunizaram a visualização, a comparação, a representação, o exercício de medir, recortar, colar, prever, montar, verificar, decompor, reduzir, ampliar, refazer, moldar, registrar, relatar, imaginar, etc. "Na verdade, para justificar a necessidade de se ter a Geometria na escola, bastaria o argumento de que sem estudar Geometria as pessoas não desenvolvem o pensar geométrico ou o raciocínio visual e, sem essa habilidade, elas dificilmente conseguirão resolver as situações de vida que forem geometrizadas; também não poderão se utilizar para a compreensão e resolução de questões de outras áreas do conhecimento humano. Sem conhecer geometria a leitura interpretativa do mundo torna-se incompleta, a comunicação das idéias fica reduzida e a visão da Matemática torna-se distorcida."(Sérgio Lorenzato-UNICAMP- Campinas, SP- Revista a Educação Matemática 2º sem/1995 pag.5)

A participação no Curso de Extensão UFRGS-SMED me estimulou a desenvolver este Projeto e através dele planejar e aplicar, de imediato, atividades que são importantes para a formação do aluno cidadão e que de outra forma poderiam ter ficado para depois. Expresso aqui o sentimento sentir a necessidade de chamamento para "ENCONTROS" desse tipo que possibilitam a quebra da rotina escolar e em contato com as realidades de outros colegas nos estimulam a buscar um novo redirecionamento em nossa função. Creio que o curso e o Projeto de Aprendizagem serviu de motivo de satisfação para os alunos e comunidade escolar, apreciada pelos comentários expressos na observação da exposição, mas muito mais para eu como professora o realizei.

 

Anexos (fichas de atividades, registros e fotos do trabalho desenvolvido)


Complexo Temático da Escola Municipal Monte Cristo.
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Escola Municipal de lº Grau Vila Monte Cristo
1º ano do III Ciclo- Matemática- Geometria
Professora :Rosamary Pessotta Disconzi
Nome:______________________________ Turma:_______ Data:__________

1) Eis alguns desenhos:

Observa bem e coloca nos parênteses:
A no desenho do sólido geométrico com uma única face.
Seu nome é _________________.
B no desenho com três faces. Qual é o seu nome?
C no desenho que tenha somente duas faces.
Seu nome é ________________ .
D no desenho com todas as faces com forma quadrada. Como posso chamá –lo?

2)Olha bem as faces aqui representadas e assinala a resposta certa:

a) Elas formam:
( )Um tetraedro
( )Um pentaedro
( )Um hexaedro

b) Quantos vértices tem?

3)Um sólido tem 20 faces. Ele é um icosaedro. Qual a forma de suas faces?

4)Observa as faces desenhadas.

a)É possível formar um sólido geométrico?
b)Quantos vértices ele terá ?
c)Qual é o número de suas arestas?
d)Qual é a soma do número de faces e o número de vértices desse sólido?

5)Completa:

Nome
nº de faces
nº de vértices
nº de arestas
Tetraedro
.
.
.
Hexaedro
.
.
.
Octaedro
.
.
.
Decaedro
.
.
.
Dodecaedro
.
.
.

Nome:________________________________ Turma:_________ Data:_______
1)Completa, observando os desenhos das faces:

a) Nome:
Nº de faces
Nº de arestas
b) Nome:
Nº de faces
Nº de arestas
c) Nome:
Nº de faces
Nº de arestas
d) Nome:
Nº de faces
Nº de arestas
e) Nome:
Nº de faces
Nº de arestas

Nome:__________________________________ Turma_______ Data:_________

RELAÇÃO DE EULER

O número de faces de uma poliedro mais o número de vértices é igual ao número de suas arestas mais 2.
Nº de faces + Nº de vértices = Nº de arestas + 2

1)Um lindo decaedro todo colorido tem sete vértices. Quantas arestas ele possui?

2)Um prisma com oito faces (hexágonos e retângulos) tem 18 arestas. Descobre o número de seus vértices:

3)Uma casinha feita com um quadrado, quatro retângulos e quatro triângulos para o telhado possui nove vértices. Quantas são as suas arestas?

4)Um poliedro tem doze vértices e trinta arestas-. Quantas faces ele apresenta? Como ele se chama?

5)Verifica a relação de Euler para o número de faces, dos vértices e das arestas de um cubo.

6)Inventa outras questões para propor a outros estudantes.



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